Excesso no uso das telas e o processo de ensino e aprendizagem

O excesso no uso das telas, principalmente por parte das crianças e adolescentes, tem trazido preocupações e sinais de alerta para pais, professores e profissionais envolvidos com o processo de ensino e aprendizagem dos infanto-juvenis. Tudo isso porque à medida que vão sendo feitas avaliações, é detectado o comprometimento na concentração e consequentemente no aprendizado das pessoas dessa faixa etária.

No artigo de hoje, iremos conhecer um pouco sobre quais os riscos que o excesso no uso das telas pode trazer. O que a escola e os pais podem fazer para evitar e/ou amenizar os problemas cognitivos, físicos e sociais causados pelo uso excessivo de celulares, tablets e computadores.

A Nomofobia e o excesso no uso das telas.

Você já ouviu falar em Nomofobia? Se sim, ótimo; mas se não, vamos conhecer agora!

A Nomofobia  é uma compulsão caracterizada pelo medo irracional de permanecer isolado e desconectado do mundo virtual. Na abstinência do celular ou tablet (internet), os sintomas são muito semelhantes aos da síndrome de abstinência de drogas como álcool e cigarro.

Vale a pena ressaltar que a Nomofobia está geralmente relacionada com comorbidades secundárias de outros transtornos, principalmente os transtornos de ansiedade, tais como fobia social, síndrome do pânico e transtorno obsessivo compulsivo. (FUNDAÇÃO COMUNITÁRIA TRICORDIANA DE EDUCAÇÃO, 2016).

Esse quadro compulsivo é mais comum em jovens, no entanto, já é possível ver sintomas parecidos em crianças e até em bebês. Isso acontece porque, com diversidade de programações infantis, os aparelhos de celulares “acalmam” as crianças, deixando-as mais quietas por mais tempo. E ainda há aquelas que, motivadas pelos adultos, só se alimentam se ficarem diante de uma tela.

Quais são as consequências desse excesso?

O excesso no uso das telas pode trazer sérios danos à saúde e também ao desempenho escolar das crianças e jovens. Um dos motivos é que a luz azul, emitida pelos aparelhos de celulares, pode afetar diretamente a memorização dos indivíduos, gerar ansiedade, tremores ou até mesmo depressão. Tudo isso está ligado à Nomofobia, ou seja, o medo de ficar desconectado.

Outro problema gerado é a falta de concentração dos alunos que estão a exposição excessiva desses aparelhos, especialmente em aulas teóricas. Um levantamento feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil  indica que um quarto dos jovens brasileiros consideram que ficam muito tempo conectados e não conseguem controlar muito bem esse período na frente das telas.

Como os jovens precisam dormir entre 9 e 10 horas por dia, o excesso no uso das telas trará danos para o bom desenvolvimento do corpo e da mente desse indivíduo, já que boas noites de sono são essenciais para ter qualidade de vida, e se esse descanso noturno não é adequado , as consequências à saúde podem refletir por toda vida, alerta especialistas.

Transtornos de irritabilidade e de comportamento são atitudes comuns em jovens que não dormem bem. Além de excessiva sonolência no ambiente escolar, trazendo sérios prejuízos para o aprendizado.

Além dos problemas descritos, ainda existe o fato de os jovens terem que enfrentar o Cyberbullying, que é bullying feito por meio virtual. Dados revelam que 43% dos jovens brasileiros já testemunharam episódios de discriminação online.

Outro fator preocupante é a exposição à sexualidade, nudez, sexting, sextorsão, abuso sexual, estupro virtual. Crimes que podem levar ao suicídio crianças e adolescentes.

O excesso no uso das telas e a primeira infância

É do conhecimento de pais e educadores que a primeira infância é uma etapa de grandes descobertas. Desse modo é preciso atenção para não permitir que o excesso no uso das telas comprometa essa fase tão importante.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é necessário evitar a exposição de crianças menores de dois anos e limitar o tempo de uso ao máximo de uma hora por dia para crianças entre dois e cinco anos de idade, além  de não poder faltar a supervisão de pais e/ou responsáveis, pois o desenvolvimento do cérebro está relacionado não apenas à nutrição, mas aos cinco sentidos de forma integrada, alerta os neurologistas.

Estudos relacionam diretamente o excesso no uso das telas ao aumento da probabilidade de crianças apresentarem habilidades motoras pobres, inatividade física e diminuição das horas de sono. Se o uso contínuo de telas toma conta muito cedo da vida da criança, ela pode ter dificuldades inclusive de manter relações sociais.

O que a escola e a família podem fazer para evitar o excesso no uso das telas por parte das crianças e jovens?

  • A escola pode elaborar projetos com a temática e mostrar que celulares, tablets e computadores devem ser usados com responsabilidade para que ele não se torne um vilão, e sim um aliado.
  • Os professores podem organizar seminários nos quais os alunos estudarão antecipadamente o assunto para apresentarem os demais.
  • Na educação infantil poderá ser realizada peças teatrais de modo que atraia a atenção da criança para a necessidade de não passar muito tempo nas telas.
  • Em casa, a família poderá reservar um local específico para o uso das telas e qual o tipo de programação é útil para as crianças assistirem.
  • Os pais também devem  dar o bom exemplo evitando o excesso no uso das telas e programar atividades com os filhos ao ar livre.

No entanto, é importante ressaltar que o uso das telas na medida certa poderá trazer benefícios. A tecnologia veio para ficar e tentar desvincular essa realidade do cotidiano de crianças e jovens é “nadar contra a maré”. O que deve ser feito é usar as telas como estímulo acessório, pois os dispositivos de mídia interativos podem ajudar crianças a construir novos caminhos para as conexões sinápticas, treinando um cérebro multitarefa, além de estimular o domínio natural de novas habilidades, como a operação de ferramentas tecnológicas.

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Referências:

Como as telas interferem no desenvolvimento das crianças. LUNETAS. Disponível em: https://lunetas.com.br/como-as-telas-interferem-no-desenvolvimento-da-crianca/  Acesso em: 13 de set.  2022.

O uso contínuo de aparelho celular e seu impacto cognitivo entre os estudantes. CONEDU. Congresso nacional de educação. Disponível em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD4_SA19_ID4419_04092019120847.pdf . Acesso em: 12 de set.  2022.

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