Metodologias Ativas, o que são?

As metodologias ativas têm sido um dos assuntos mais debatidos no meio educacional nesses últimos anos. Mas o que de fato são essas metodologias? Como é possível colocá-las em prática mesmo em escolas onde não há muitas ferramentas? O uso dessas metodologias têm trazido benefício real para o aprendizado de estudantes que são contemplados por ela?

Vamos lá para a definição!

As metodologias ativas são estratégias de ensino que têm por objetivo incentivar os estudantes a aprenderem de forma autônoma e participativa, por meio de problemas e situações reais, realizando tarefas que os estimulem a pensar além, a terem iniciativa, a debaterem, tornando-se responsáveis pela construção de conhecimento. Dentro dessas metodologias encontramos as tecnologias digitais, tão presentes no cotidiano da maior parte dos alunos.

Pois é! No entanto, a máxima que diz ” Escola do século XIX, professor do século XX, aluno do século XXI” ainda está bem presente no nosso cotidiano. Sem dúvida, muitos de nós já ouvimos essa frase em algum momento da carreira do magistério. E ela não está errada. A escola parece parada no tempo diante do cenário tão dinâmico como o que vivemos atualmente. Hoje estamos on-line o tempo todo, seja para estudar, para pagar contas e até para “perder tempo”, o certo é que a escola não tem acompanhado todo esse dinamismo.

O aprendizado não está limitado a um espaço de quatro paredes de uma escola, qualquer tema trabalhado no ambiente escolar, os alunos terão acesso através do uso da internet. São incontáveis materiais no formato de vídeos, cursos on-line, animações, entre outros tantos exigidos pelo currículo escolar.

Isso não significa que a presença do professor se tornou desnecessária na escola, de forma alguma, mas sim que esse profissional deve se preparar para implementar os avanços tecnológicos nas suas aulas. Também não significa que aulas de qualidade são apenas aquelas as quais as tecnologias digitais estão presentes, mas que deixá-la de lado poderá ser um “desperdício” de uma ferramenta eficiente.

Veremos no decorrer desse artigo que as metodologias ativas ampliam essa visão do aprender!

Em que as metodologias ativas podem ajudar no processo de aprendizagem?

O sistema educacional tem despertado aos poucos para as mais diversas formas de aprender. E é nisso que as metodologias ativas focam. De acordo com o professor e pesquisador José Moran:

“Os processos de aprendizagem são múltiplos, contínuos, híbridos, formais e informais, organizados e abertos, intencionais e não intencionais. O ensino regular é um espaço importante, pelo peso institucional, pelos anos de certificação e pelos investimentos envolvidos, mas convive com inúmeros outros espaços e formas de aprender mais abertos, sedutores e adaptados às necessidades de cada um.”

Ao entender que a educação deve preparar o aluno para ter autonomia, a escola começa a perceber que o aprendizado não pode estar desassociado do dia a dia. A escola necessita investir em metodologias ativas, em atividades significativas e não em conteúdos prontos que não estimulam o aluno a pensar.

Vivemos em um mundo onde a aprendizagem é sem fronteiras. É necessária uma força tarefa de toda comunidade escolar para preparar os alunos para as mudanças que ocorrem principalmente nas tecnologias digitais. Algumas profissões que hoje existem, não existirão no futuro. Essa é apenas uma das mudanças. Não nos comunicamos mais como comunicávamos antigamente, também não viajamos como no passado, tudo mudou. E por que a escola continuará a mesma?

Desse modo, desenvolver a autonomia, o empreendedorismo, o trabalho em equipe são fundamentais na era atual. A cultura maker deve ser explorada em sala de aula, ajudando o aluno a deixar de ser passivo. Para Moran, “Podemos sair do modelo babá, em que damos tudo pronto, resumido em tópicos em um PowerPoint, para propor atividades mais problematizadoras, fazer perguntas mais relevantes, a fim de que os alunos se tornem pesquisadores.”

É possível utilizar as metodologias ativas sem o uso da tecnologia?

Bom! Sabemos que as crianças desse século já nasceram cercadas pela tecnologia, e tentar não as inserir nessas transformações é tempo perdido. O melhor a fazer é descobrir meios para usar todo esse avanço tecnológico a seu favor.

No entanto, ainda há meios de usar métodos ativos sem necessariamente utilizar as tecnologias digitais. Vejamos, abaixo, alguns modelos de metodologias ativas de aprendizagem em práticas pedagógicas, utilizando meio simples para alcançar o objetivo.

Aprendizagem Baseada em Problemas

Convivemos diariamente com situações-problema, e precisamos resolvê-las, caso contrário, os problemas serão acumulados, tornando-se uma avalanche descontrolada.

A aprendizagem baseada em problemas tem o foco no desenvolvimento dessa habilidade. É um método de ensino, no qual os alunos resolvem, de forma colaborativa, situações problema para a construção de novos conhecimentos.

Um exemplo hipotético:

Uma determinada escola de ensino médio está com problema de falta de água constantemente, e isso tem trazido prejuízo a todos. Os alunos, em vez de esperar apenas pela direção da escola, unem-se e elaboram um tipo de ofício e enviam a companhia responsável solicitando a resolução do problema.

Para a elaboração desse documento os alunos precisarão do apoio de professores e da gestão escolar, no entanto, o trabalho será feito por eles. Alunos ativos e não passivos. Essa é uma das práticas das metodologias ativas.

Aprendizagem Baseada em Projetos

Os projetos sempre foram meios de desenvolver a proatividade dos alunos. Isso porque os estudantes são desafiados a resolver um problema, por meio de etapas metodológicas, visando a obtenção de um produto pedagógico.

O interessante é que a maior parte dos projetos é desenvolvido por trabalho em equipe. Isso contribui para o desenvolvimento do aluno como pessoa, aprendendo a ouvir, a respeitar e a colaborar para um bem maior.

Sala de Aula Invertida

No modelo tradicional de ensino o professor passava o conteúdo em sala e depois fazíamos a tarefa de casa sozinhos. Já na sala de aula invertida o professor aponta um determinado assunto para os alunos e estes estudam em casa e, posteriormente, trazem esse assunto para ser debatido em sala com os outros alunos.

É um modelo de ensino híbrido sustentado, no qual os alunos acessam os conteúdos em espaços e horários diferentes da aula, e nesta,  ocorre discussão e resolução de questões.

Ao estudarem em casa (ou em outro lugar possível de aprendizado), os alunos chegam na sala de aula com a oportunidade de compartilhar o que aprendeu como também o que não aprendeu.

Nessa partilha acontece o fenômeno defendido por William Glasser, no qual o aprendizado se torna mais eficaz quando este é compartilhado, ensinado a outros.

Aprendizagem Baseada em Times

Times ou Team-Based Learning (TBL), nessa modalidade os alunos são reunidos em pequenos grupos de aprendizagem, em um mesmo espaço físico, para resolverem desafios lançados antes, durante ou após as aulas.

Esse formato de atividade torna a aula mais atrativa e dinâmica. No entanto, essa deve ser bem planejada, para que os grupos não usem o tempo apenas para bate-papo, sem resolverem os desafios propostos.

Gamificação

É uma metodologia que utiliza os elementos dos jogos no processo de aprendizagem visando aumentar o engajamento e autonomia dos estudantes nas atividades propostas.

A gamificação está se tornando cada vez mais usual em ambientes educacionais por uma série de razões. Ela ajuda a tornar até mesmo os conceitos mais complexos e as atividades mais difíceis em momentos mais divertidos e atrativos para os alunos, ajudando a mantê-los motivados e engajados com o seu aprendizado.

Exemplo de atividade aplicando a gamificação em sala de aula:

O professor lança um desafio. Cada vez que a turma conseguir superar esse desafio, será ponto para ela. Pode ser uma atividade entregue na data marcada, ou outra atividade extra sala. No entanto, cada vez que não conseguir, será ponto para o professor. Ao lançar o desafio, o professor também irá combinar com a sua turma o que vai ser feito com quem for o vencedor. E, claro, que se todos se sentem envolvidos na dinâmica, só haverá vencedores.

Design Thinking

Design Thinking é uma abordagem para se tentar resolver algum problema buscando soluções criativas com o foco centrado no ser humano por meio do processo interacional das pessoas envolvidas com o intuito de impactar positivamente a realidade da comunidade, de acordo com o site Edify Education .

O método quando aplicado como estratégia de ensino e aprendizagem permite aos estudantes participarem ativamente nas propostas de soluções para um problema identificado.

Podemos perceber que dentro das metodologias ativas as tecnologias digitais são muito importantes, mas ela por si só não é capaz de trazer resultados transformadores. É preciso engajamento por parte de docentes e gestão escolar, a fim de atrair os discentes para um aprendizado eficaz.

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Referências

Metodologias ativas. Escola Digital. Disponível em: https://professor.escoladigital.pr.gov.br/metodologias_ativas . Acesso em: 7 de fev. 2023.

Design Thinking para a Educação: o que é e como aplicar? Edify education. Disponível em: https://www.edifyeducation.com.br/blog/design-thinking-para-a-educacao-o-que-e-e-como-aplicar/utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_campaign=blog_dsa&gclid=CjwKCAiA85efBhBbEiwAD7oLQAKUo19WHbAF-gPt19vWvlTgMktmytT060ARktC5_Vt26JWWqrpctRoC528QAvD_BwE.  Acesso em: 10 de fev. 2023.

Gamificação na educação: o que é e como pode ser aplicada. Faz educação e tecnologia. Disponível em: https://www.fazeducacao.com.br/gamificacaonaeducacao#:~:text=A%20gamifica%C3%A7%C3%A3o%20na%20educa%C3%A7%C3%A3o%20refere,por%20uma%20s%C3%A9rie%20de%20raz%C3%B5es . Acesso em: 9 de fev. 2023

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