Qual é o futuro do ensino no Brasil?

Entender o futuro do ensino no Brasil é necessário para a adoção de práticas educacionais de sucesso.

A volta às aulas sempre traz grandes expectativas tanto para alunos quanto para professores e a comunidade escolar de um modo geral. Em especial, nos últimos anos, com a pandemia da Covid 19, vários setores sociais passaram por incertezas, e não foi diferente com o sistema educacional.

Afinal, foram praticamente 2 anos sem aulas presenciais, nos quais as famílias tiveram que assumir um papel que para muitos foi um desafio, o de ser professor e ensinar de forma integral as atividades escolares dos filhos. Claro que para algumas famílias foi positivo passar a dedicar-se integralmente à educação dos filhos, no entanto essa não foi a regra, mas a exceção.

E o que podemos esperar da educação, no nosso país, em um futuro próximo? Métodos educacionais estão sendo modificados. A escola vem sentindo a necessidade de acompanhar as inovações tecnológicas, que já fazem parte do cotidiano das crianças e jovens. O modo de aprender e, consequentemente, o de ensinar já não é mais o mesmo.

Nesse artigo iremos falar um pouco sobre como o professor pode se preparar para a volta às aulas, como também se preparar para o futuro do ensino no Brasil. Boa leitura!

O Brasil e os investimentos educacionais na última década.

Antes de falarmos sobre o futuro do ensino no Brasil, falaremos um pouco sobre o passado educacional do nosso país. Quais inovações passaram a fazer parte das metas educacionais, quais foram executadas e quais ainda não foram.

Fundeb

O Fundeb é um conjunto de 27 fundos (26 estaduais e 1 do Distrito Federal) que desempenham o papel de redistribuição de recursos ofertados para Educação Básica. Significa dizer que o Fundeb é o local de onde sai o dinheiro para investir nos professores e em infraestrutura para que todas as etapas da Educação Básica continuem funcionando, como creches, Pré-escola, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O Fundeb entrou em vigor a partir de janeiro de 2007 até 2020, como previsto pela Emenda Constitucional nº 53, que modificou o Art. 60 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). A partir da aprovação da Emenda Constitucional 108/2020, foi melhorado e passou a ser definitivo e, com o Projeto de Lei 4372/2020, ele foi regulamentado.

PNE

Outro avanço decisivo para a Educação brasileira foi a elaboração do Plano Nacional de Educação. Resultado de duas conferências nacionais, o PNE foi formulado com a participação da sociedade civil, sob liderança da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação. A relevância desse documento para a legislação educacional é estabelecer metas e planejamentos a longo prazo (2014-2024), para atingir os indicadores considerados adequados para a realidade do ensino no Brasil.

De acordo com a Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua (PNDA- Contínua) de 2018, a média de anos de estudos aumentou de 8,6 para 9,6. a conclusão do Ensino Médio passou de 46,2% para 47,4%. Já a taxa de escolarização na primeira infância cresceu de 30,45 para 34,2%, enquanto o analfabetismo na faixa de 15 anos caiu de 7,2% para 6,8%.

Apesar dos avanços, os dados mostram que 16 das 20 metas encontram-se estagnadas. Esse cenário agravou-se com a crise política e econômica de 2015, que desencadeou cortes de investimentos e agendas de reformas, desviando o foco das estratégias traçadas. E, agora, recentemente, com a crise sanitária mundial, as metas do PNE se distanciaram ainda mais.

Educação Inclusiva

BNCC

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, assegurando-lhes o direito de aprendizagem e desenvolvimento esperado para esse
público.

Seu principal objetivo é ser a balizadora da qualidade da educação no País por meio do estabelecimento de um patamar de aprendizagem e desenvolvimento a que todos os alunos têm direito. Nesse sentido, espera-se que a BNCC ajude a superar a fragmentação das políticas educacionais, enseje o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo.

A BNCC por si só não melhora a qualidade da educação, mas ela mostra a direção para que de fato as crianças e jovens aprendam, ou seja, contribui para que o ensino no Brasil se torne de qualidade.

O futuro do ensino no Brasil e as novas metodologias.

Há tempos a educação no Brasil vem  carecendo de mudanças que alcancem objetivos reais na vida dos alunos. As conquistas citadas acima foram passos para que essas mudanças se tornem reais.

A escola do passado visava preparar os alunos para entrar em uma boa universidade, apenas. Hoje, no entanto, ela precisa preparar seus discentes para o que está além das quatro paredes de uma sala aula, prepará-los para os desafios da vida.

As metodologias ativas são exemplos de mudanças que vêm ocorrendo no processo educacional das escolas. Nelas são usadas estratégias de ensino que têm por objetivo incentivar os estudantes a aprenderem de forma autônoma e participativa, por meio de problemas e situações reais, realizando tarefas que os estimulem a pensar além, a terem iniciativa, a debaterem, tornando-se responsáveis pela construção de conhecimento.

Essas metodologias caminham lado a lado com as propostas da BNCC. As disciplinas ministradas aos estudantes continuam as mesmas. O que muda, aqui, é a forma como o conhecimento é transmitido à classe, utilizando uma abordagem diferenciada.

Neste modelo de ensino, o professor torna-se coadjuvante nos processos de ensino e aprendizagem, permitindo aos estudantes o protagonismo de seu aprendizado.

Com a ascensão das novas tecnologias, é possível o aluno adquirir conhecimentos por diversos meios que vão além da sala de aula. Hoje são diversos aplicativos, sites e videoaulas que possibilitam que crianças e jovens desenvolvam o conhecimento necessário para sua faixa etária.

E o professor, nesse contexto, onde fica?

Dizer que o professor é coadjuvante nesse processo não significa que ele se tornará desnecessário no desenvolvimento educacional, ao contrário, quer dizer que ele deverá superar mais e mais as resistências tecnológicas e abraçá-las como uma aliada. O desafio dos novos docentes é fazer com que os estudantes ganhem autonomia para usar os recursos modernos. Para isso o docente precisará se familiarizar com a tecnologia, precisará sempre estar estudando para conduzir os seus alunos de forma segura.

Muitos especialistas em educação acreditam que o interesse pela escola se restabelecerá quando os professores deixarem de apenas transmitir conteúdos e orientarem os alunos para que descubram o conhecimento por si próprios. O professor terá de despertar no estudante o desejo de pesquisar na Internet, de ir a campo para pesquisas e discutir com a turma – seja na sala de aula ou por meio de um programa de mensagens instantâneas como whatsApp.

Sabe-se que desde muito pequenas as crianças têm tido acesso a diversos jogos, vídeos e até salas de bate-papo. E, sim, essas práticas exigem atenção, mas ao invés de demonizar esses recursos, cabe aos responsáveis, escola e família, fazer as orientações pertinentes para que a tecnologia deixe de ser um vilão no processo de ensino e aprendizagem.

De acordo com a filósofa Viviane Mosé,  “Vivemos numa sociedade globalizada, com novas estruturas de comunicação em rede. Este novo modelo de sociedade em rede abre perspectiva para um raciocínio complexo, que aceita contradição. Temos de fato a democratização do acesso aos conteúdos.  O que temos nas redes sociais é conhecimento produzido em tempo real.”

Ela defende que numa sociedade em que o acesso ao conhecimento foi democratizado em redes sociais, é preciso abandonar modelos de ensino em massa para priorizar a educação um a um.

O ensino no Brasil e as avaliações.

O que dizem as avaliações sobre o ensino no Brasil?

“Avaliações nacionais e internacionais denunciam uma crise de qualidade na educação brasileira. A educação deve preparar os jovens para o mundo do trabalho e da convivência social com ética e solidariedade. No Brasil, todos os governos proclamam que a educação é uma meta prioritária. Ela é utilizada na plataforma eleitoral de todos os partidos. As promessas não são cumpridas pelos que assumem o poder.” (Comissão UnB. Futuro).

Já expomos aqui no nosso blog os resultados das avaliações do ensino no Brasil. Através desses resultados podemos perceber que o “calcanhar de Aquiles” da educação brasileira não são os investimentos educacionais, mas como eles estão sendo administrados.

Mas não é somente a questão administrativa que compromete o ensino no Brasil. Ações inovadoras precisam ser colocadas em prática nas escolas de todo país para que o sucesso no aprendizado seja possível para todas as crianças e jovens .

É importante ressaltar que apesar de o ensino no Brasil não estar como deveria (ainda), a escola pública melhorou muito no quesito estrutura física, material didático, planos e carreiras do professor, em comparação com a do passado (Eu que o diga).

A seguir serão dadas algumas sugestões para vocês, professores, trabalharem de forma inovadora com seus alunos. São dicas que podem ser colocadas em prática desde a educação infantil ao ensino médio de acordo com a realidade de cada faixa etária.

1- Leitura online

A primeira dica pode ser colocada em prática nos três níveis de ensino, fazendo adaptações.

Os livros clássicos da literatura infantil ou as divertidas histórias em quadrinhos podem ser acessados virtualmente. Essa vivência de leitura digital, além de oferecer uma experiência interativa e interessante, estimula o hábito e o gosto pela leitura, uma vez que a criança percebe a tecnologia como uma aliada nesse processo.

O educador pode fazer a leitura coletiva com a turma por meio do recurso digital e, em seguida, estimular que as crianças busquem novos títulos e interajam com o dispositivo. Essa prática se entrelaça aos direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil estabelecidos pela BNCC. Tais experiências, situações e vivências concretas asseguram o direito de exploração em suas diversas modalidades.

2 – Exibição e produção de vídeos

Aula a partir de exibição de vídeos não é novidade nas escolas do Brasil, mas ainda assim pode ser um recurso atrativo, didático e eficaz no processo de aprendizagem. Já a produção de vídeos realizada pelos próprios alunos ainda está meio acanhada, mas à medida que o tempo passa, a prática tem se tornado cada vez mais comum nas escolas.

A produção de vídeos com recursos tecnológicos acessíveis, como o aparelho celular, por exemplo, também pode ser uma atividade que estimula o processo de ensino-aprendizagem de forma ativa e criativa. A produção de um curta-metragem assegura às crianças o trabalho colaborativo e o uso de várias linguagens. O roteiro do curta pode ser criado em conjunto pelas crianças, e os cenários e personagens podem ganhar formas pela atuação dos alunos frente às câmeras ou com uso de materiais como massinhas de modelar.

É importante frisar que essas atividades devem ser direcionadas pelo professor ou responsáveis para que elas se tornem produtivas e eficazes.

3- Mural Virtual

O mural da sala de aula pode ganhar um formato digital. Contudo, não basta tirar uma foto e publicar em um ambiente virtual. A proposta é que, orientadas pelo professor, esse espaço seja trabalhado pelas próprias crianças, que registrarão as ideias discutidas em sala, as atividades realizadas e as descobertas da turma.

O mural virtual pode ser criado com ferramentas gratuitas de blogs, por exemplo, ou até comunidades fechadas em redes sociais. O espaço colaborativo pode explorar práticas variadas de linguagens (como texto, foto, áudio e vídeo) dentro da intencionalidade educativa. Além disso, o mural pode ser acessível aos pais e responsáveis, permitindo interações e participações; ou ainda contar com conteúdos complementares para serem explorados junto com as famílias fora do ambiente escolar.

4-Aprendizagem compartilhada

Outra prática para a melhoria do ensino no Brasil é a aprendizagem compartilhada. Esse modelo de prática pedagógica estimula o trabalho em equipe, atuar entre pares, criando momentos diversos para que os alunos possam ensinar algo para seus colegas. Trazer a socialização, valorizando atividades educativas que gerem a interação, a colaboração e a criatividade em equipe.

Ao invés de incentivar o trabalho individual, promover espaços compartilhados pode ser uma boa ideia nesse caso. Isso porque permite também o envolvimento do professor, fortalecendo os vínculos e apoiando o trabalho do educador.

5-Aprendizagem ativa

É o famoso colocar a mão na massa. Aqui o importante é focar na possibilidade de os alunos desenvolverem projetos, resolverem problemas reais, criarem e testarem soluções concretas e, por meio delas, ganharem conhecimento.

Por isso, promova atividades educativas que estimulem a experimentação, a inovação, a criatividade, o exercício da cidadania e, mais que isso, o desenvolvimento integral de todos os alunos. É uma forma de estimular a aprendizagem por meio da ação.

Com essas e outras tantas boas práticas o ensino no Brasil poderá se tornar de qualidade. Cada professor, gestor e cada família é responsável pela escola nas quais atuam. Cabe ao professor buscar sempre se capacitar, buscar a imersão nas novas tecnologias educacionais. Ao gestor, estar em constante aprimoramento para trazer conhecimentos fundamentais para a sua equipe pedagógica. Quanto a família, assumir o que é confiado a ela, seja no acompanhamento, seja no pioneirismo educacional dos seus filhos.

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Referências

6 Avanços na educação básica na última década. Fundação Telefônica Vivo. 14/1/2020. Disponível em: https://www.fundacaotelefonicavivo.org.br/noticias/6-avancos-da-educacao-basica-na-ultima-decada/#:~:text=%C3%89%20importante%2C%20ainda%2C%20levar%20em,creches%20(4%2C24%25) . Acesso em 14/ 12/2022.

Conheça as 20 metas do PNE. PORTAL EBC. 1/7/2014. Disponível em: https://memoria.ebc.com.br/educacao/2014/07/20-metas-do-pne.  Acesso em 18 de dez. 2022.

DRUMOND, Kely. 5 ideias para usar tecnologia na educação infantil. Somos Educação. 19/1/2021. Disponível em: https://www.somoseducacao.com.br/ideias-para-usar-a-tecnologia-na-educacao-infantil/  . Acesso em 18 de dez. 2022.

Metodologias Ativas. Escola Digital do Professor. Disponível em: https://professor.escoladigital.pr.gov.br/metodologias_ativas#:~:text=As%20metodologias%20ativas%20s%C3%A3o%20estrat%C3%A9gias,se%20respons%C3%A1veis%20pela%20constru%C3%A7%C3%A3o%20de.  Acesso em 18 de dez. 2022.

O futuro da Educação brasileira. A Comissão UnB. Futuro. Disponível em: http://www.unbfuturo.unb.br/artigos/85-o-futuro-da-educacao-brasileira.  Acesso em: 18 de dez, 2022.

Práticas pedagógicas: 7 dicas inovadoras para implantar na sua escola. Mindmakers. 17/3/2020. Disponível em: https://mindmakers.com.br/praticas-pedagogicas/ . Acesso em 18 de dez de 2022.

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