Nutrição Escolar

Já é do conhecimento de todos que a saúde anda de mãos dadas com a nutrição, especialmente, no que diz respeito a Nutrição Escolar. Já que na escola encontra-se várias crianças e jovens, que vivem diferentes realidades, alguns em situações alimentar bem difíceis, inclusive.

A alimentação é uma necessidade básica do ser humano, e o ato de alimentar-se, embora possa parecer comum, envolve uma multiplicidade de aspectos que influenciam a qualidade de vida do indivíduo. Mais do que em
qualquer época da história da humanidade, existe recentemente, uma gama enorme de informações sobre a alimentação adequada para o crescimento e desenvolvimento da criança e para a garantia de uma boa saúde futura.

Quando se fala de nutrição escolar, não se pode pensar apenas no aspecto alimentar, mas também pedagógico.

No artigo de hoje iremos abordar assuntos que envolvem a nutrição escolar e qual o peso dela na qualidade da educação de estudantes de todo país. Boa leitura!

Qual o profissional responsável pela Nutrição Escolar?

O nutricionista é um profissional responsável pela nutrição escolar da instituição em que ele trabalha. Compete ao nutricionista responsável técnico (RT) assumir as atividades de planejamento, coordenação, direção, supervisão e avaliação de todas as ações de alimentação e nutrição no âmbito da alimentação escolar.

Esse profissional necessita combinar um cardápio que garanta as necessidades nutricionais dos alunos durante todo o ano letivo por fazer parte de um elemento pedagógico.

O PNE- Plano Nacional de Alimentação Escolar- é o programa responsável por oferecer alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica pública. O governo federal repassa a estados, municípios e escolas federais, valores financeiros de caráter suplementar, efetuados em 10 parcelas mensais (de fevereiro a novembro), para a cobertura de 200 dias letivos, conforme o número de matriculados em cada rede de ensino.

O planejamento dos cardápios, bem como o acompanhamento de sua execução, devem estar aliados para o alcance do objetivo do PNAE.

Os cardápios deverão ser elaborados pelo nutricionista RT, considerando:

  • o emprego da alimentação saudável e adequada, compreendendo o uso de alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura, as tradições e os hábitos alimentares saudáveis, atendendo as necessidades nutricionais dos alunos em conformidade com a sua faixa etária e seu estado de saúde;
  • os gêneros alimentícios produzidos em âmbito local, preferencialmente pela agricultura familiar e pelos empreendedores familiares rurais;
  • o horário em que é servida a alimentação e o alimento adequado a cada tipo de refeição;
  • as especificidades culturais das comunidades indígenas e/ou quilombolas;
  • a oferta de, no mínimo, 3 porções de frutas e hortaliças por semana (200g/aluno/semana), sendo que as bebidas à base de frutas não substituem a obrigatoriedade da oferta de frutas in natura;
  • os aspectos sensoriais, como as cores, os sabores, a textura, a combinação de alimentos e as técnicas de preparo;

A Nutrição Escolar e a escola privada.

A escola atua de maneira significativa na formação de opiniões e na construção de conceitos, e isso não é diferente no que se refere a nutrição escolar.

A alimentação nas escolas públicas é regida pelo PNAE. É através do programa que é oferecida alimentação escolar para todas as etapas da educação básica. Essa alimentação não deve ser composta de produtos ultraprocessados e industrializados, mas dar preferência àqueles naturais, ricos em proteínas, carboidratos, sempre adequando os alimentos à faixa etária das crianças.

Sendo assim, como fica a nutrição escolar nas instituições privadas?

De um modo geral, aqui no Brasil, os estudantes da rede privada consomem mais quantidade de açúcar, sal e gordura em comparação com os da escola pública. Isso se dá porque na maioria dos casos eles consomem o que é vendido nas cantinas das escolas, e essas não possuem orientação de um profissional da nutrição.

Em pesquisas realizadas pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAAS) mostram que aproximadamente 30% dos alimentos consumidos por crianças e adolescentes da rede privada são compostos por produtos ultraprocessados.

Desse modo, especialistas explicitam a necessidade de uma regulamentação mais rígida nas escolas para frear esses tipos de alimentos e impedir o acesso a refrigerantes e outros produtos causadores de doenças crônicas.

Apesar dessa realidade, atualmente algumas escolas privadas têm mudado essa situação e se preocupado com a alimentação dos seus alunos. Sabem que não é possível desassociar boa alimentação de um bom aprendizado.

Nutrição escolar e o aprendizado

É consensual que uma boa alimentação está ligada diretamente ao desenvolvimento integral das crianças e jovens. O tema da educação alimentar e nutricional é central, e a escola é um agente fundamental nesse sentido.

A nutrição, para além de afetar a estrutura cerebral, pode influenciar o seu funcionamento de um momento para o outro. Dado que o cérebro precisa continuamente de glicose, assim como de vários nutrientes que intervêm nos processos metabólicos, coloca-se a questão de como a natureza da alimentação e o padrão do consumo de refeições pode influenciar o funcionamento cerebral nas horas seguintes à ingestão, pelo efeito agudo dos nutrientes.

A tabela abaixo mostra as necessidades nutricionais diárias por faixa etária.

escolas_alimentacao

Crédito: Tabela feita por Vanessa Manfre, com base em dados do FNDE

Fonte: https://educacaointegral.org.br/reportagens/alimentacao-escolar-e-parte-do-processo-de-aprendizagem/

Crianças mal alimentadas terão maior dificuldade na realização das atividades propostas. Já uma alimentação saudável faz com que o aluno adoeça menos, falte menos às aulas e ainda, tenha um melhor desempenho.

E é pensando em suprir essas necessidades que o PNAE regulamenta o padrão tanto dos micronutrientes quanto dos macronutrientes que precisam ser supridos pela alimentação escolar. E a partir desses parâmetros é que os cardápios são elaborados pelas equipes de nutricionistas das secretarias estaduais de educação.

Os macronutrientes

São compostos dos carboidratos que dão energia às células do nosso corpo, além das proteínas que auxiliam na construção de tecidos, músculos e da nossa pele. Também os lipídios (gorduras), que são essenciais para a produção de energia, integram os macronutrientes.

Os micronutrientes 

São as nossas fontes de vitaminas A,C,D,E e K, além das vitaminas do complexo B. Esses micronutrientes precisam ser absorvidos em menor quantidade em relação aos macronutrientes, mas estão diretamente relacionados às capacidades de aprender e se concentrar.

A adequação dos valores nutricionais da merenda escolar aos parâmetros do PNAE visa não apenas combater a desnutrição que reverbera no baixo desempenho escolar, mas também à prevenção de doenças. Assim a nutrição escolar realizada por um profissional capacitado, empenhado, pode melhorar a qualidade de vida dos estudantes.

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Referências:

Alimentação Nutrição. FNDE- Fundo Nacional de Educação. Disponível em: https://www.fnde.gov.br/index.php/programas/pnae/pnae-eixos-de-atuacao/pnae-alimentacao-e-nutricao#:~:text=O%20card%C3%A1pio%20da%20alimenta%C3%A7%C3%A3o%20escolar,de%20educa%C3%A7%C3%A3o%20alimentar%20e%20nutricional . Acesso em: 15 de mar. 2023

PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar. Secretária de governo. Disponível em: https://www.gov.br/secretariadegoverno/pt-br/portalfederativo/guiainicio/prefeito/trilhas-100-dias-de-governo/pnae-2013-programa-nacional-de-alimentacao-escolar . Acesso em: 16 de março 2023.

Alunos de escola pública se alimentam melhor do que os da rede privada, diz pesquisa. Brasil de fato. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/03/19/alunos-de-escola-publica-se-alimentam-melhor-do-que-os-da-rede-privada-diz-pesquisa . Acesso em: 16 de mar 2023.

BAZÍLIO, Ana Luiza. Alimentação escolar é parte do processo de aprendizagem. Centro de referências em Educação Integral.  Disponível em: https://educacaointegral.org.br/reportagens/alimentacao-escolar-e-parte-do-processo-de-aprendizagem/ . Acesso em: 20 de mar. de 2023.

Nutrição e aprendizagem em sala de aula: entenda essa relação. Portabilis. Disponível em: https://blog.portabilis.com.br/nutricao-e-aprendizagem-em-sala-de-aula-entenda-essa-relacao/  Acesso em: 21 de mar. 2023.

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