A  história da alfabetização

Quando começou a história da alfabetização? Como se deu esse processo? Conhecer essa história ajuda-nos a entender melhor como chegamos até aqui. Compreender o porquê de ainda existir um número considerável  de analfabetos no Brasil e quais avanços tivemos nessas últimas décadas.

É sobre esse tema que iremos falar no artigo hoje!

Como foi o início da história da alfabetização no Brasil

Quando os jesuítas chegaram nas terras, hoje chamada de Brasil, encontraram um povo com um modo de ser bem diferente dos que eles conheciam, os indígenas. Esses povos utilizavam como meio de comunicação a linguagem oral, não havia entre eles a cultura da  escrita. Desse modo, os jesuítas tornaram-se responsáveis por implementar, nos indígenas, a cultura da leitura e escrita.

Seja por razões próprias, como convertê-los ao catolicismo, ou pelo desejo de ver aqueles povos civilizados, a questão é que a partir daí é iniciada história da alfabetização nas terras brasileiras.

O primeiro registro de educação formal no país foi por volta de 1550, época do domínio dos jesuítas no período colonial. O modelo de ensino era baseado na religião, o que para uns foi negativo, pois , de acordo com críticos, esse modelo não respeitava a cultura e o saber dos indígenas. Em 1759, quando os jesuítas foram expulsos por Marquês de Pombal, as escolas tinham menos de o,1% da população matriculada em escolas.

Juntamente com os movimentos pela formação da República, em 1876, surgiram as primeiras tentativas de organizar sistematicamente a educação do Brasil. Nesse sentido, o período marca a implementação dos primeiros métodos do ensino da leitura por meio do alfabeto. Estes métodos eram baseados em métodos sintéticos, na soletração e na silabação, com a utilização dos ditados e das cópias. Nessa época, ler e escrever passaram a ser habilidades importantes, pois os analfabetos eram proibidos de votar.

É importante lembrar que nesse período eram consideradas alfabetizadas pessoas que conseguiam escrever e ler o próprio nome. o que para muitos, era uma tarefa impossível de ser cumprida, pois neste contexto no Brasil a maior parcela da população era pobre, não haviam leis que garantissem o ensino para todos, desta maneira, a simples
aprendizagem do nome era um grande diferencial.

Etapas da história da alfabetização no Brasil

A história da alfabetização no Brasil passou por algumas etapas. Vamos conhecê-las.

A primeira etapa, conforme já foi explanado no tópico anterior, foi realizada pelos jesuítas.

Já a segunda, começou no final do século XIX, em São Paulo, por volta de 1890. Professores que defendiam a importância da pedagogia e dos métodos analíticos entraram em divergência com grupos e adeptos das abordagens mais tradicionais, as sintéticas.

O método analítico era ensinado por meio de textos ou sentenças com sentido completo e só depois as palavras, sílabas e letras eram apresentadas. Nesse período surgiu o termo alfabetização, que era o ensino simultâneo da leitura e escrita . Antes o foco era o de ensinar as crianças a ler, pois a escrita estava ligada à caligrafia.

A terceira fase da história da alfabetização, aconteceu na década de 1920, período de mudanças na educação brasileira. Essa fase foi marcada pela psicologia científica, bandeira do educador Manuel Lourenço Filho. De acordo com o educador, a educação era um processo psicológico que poderia ser mensurado.

A partir dessa conclusão, foram criados os testes de ABC, para avaliar o desempenho dos alunos, classificando-os em “fracos”, “médios” e “fortes”. Os métodos sintético e analítico tornaram-se ultrapassados e surgiu o método misto, que usava um pouco de cada metodologia.

Esse embate entre os diferentes métodos, a mistura entre antigo e novo e a sensação de fragilidade são questões importantes que podem ter influência nos níveis atuais de desempenho dos alunos.

Em 1980 inicia-se a quarta fase da história da alfabetização. Foi nesse período que surgiu o construtivismo corrente que vai na contramão dos métodos anteriores. O método do psicólogo suíço Jean Piaget, que propõe a participação ativa dos alunos em sala de aula, ganhou força e está cada vez mais presente na realidade educacional brasileira.

No entanto, a desvantagem da difusão da perspectiva construtiva foi que ainda não havia um método de ensino-aprendizagem estruturado e isso deve ser um dos fatores que causa o baixo desempenho dos estudantes de hoje.

Alfabetização na atualidade

Apesar de o sistema educacional ter crescido nas últimas décadas, o índice de crianças não alfabetizadas ainda é muito alto, situação que se agravou com a pandemia do Coronavírus .

De acordo com a Pesquisa por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo IBGE em 2019, o Brasil tem pelo menos 11,3 milhões de pessoas com mais de 15 anos analfabetas, o equivalente a 7% da população. No mundo todo, mais de 750 milhões de pessoas também se encontram nesta situação, sendo privadas de oportunidades pessoais e profissionais.

A história da alfabetização ainda não pode ser conhecida como aquela que teve um “final feliz”. A média da taxa de analfabetismo no Brasil é maior nas regiões Nordeste e Norte, seguidas respectivamente do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Além disso, em 2018, apenas 13 estados atingiram a meta parcial de redução do analfabetismo definida para 2015, que era de 6,5%. A meta final do Plano Nacional de Educação é erradicar o analfabetismo no Brasil até o ano de 2024.

Para que esses números melhorem e todas as crianças sejam alfabetizadas, é necessário que o professor alfabetizador crie novas práticas de ensino. E que a equipe pedagógica crie estratégias de apoio ao professor para que os bons resultados tornem-se reais. Outra questão importante para o sucesso escolar é a participação ativa da família, já que o processo de alfabetização se inicia em casa em atividades do cotidiano.

Não se pode esquecer o quão importante é a transição da educação infantil para o ensino fundamental, desse modo professores da educação infantil devem ter uma visão ampla do desenvolvimento dos alunos para que eles cheguem preparados na etapa seguinte.

A história da alfabetização continua a acontecer diariamente em lares e escolas desse país. Sim, é possível reverter o quadro atual do nosso país, trazendo transformações por meio do conhecimento de qualidade.

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Referências:

AMORIM, Américo N. Desafios da educação no Brasil. Escribo- inovação para o aprendizado. 5 de abril de 2022. Disponível em: https://escribo.com/2019/04/05/alfabetizacao-e-letramento-no-brasil-evolucao-historica/.  Acesso em: 18 de outubro 2022.

Alfabetização no Brasil: como estão os números em nossa escola. Urânia. Disponível em: https://horario.com.br/blog/alfabetizacao-no-brasil-como-estao-os-numeros-de-nossas-escolas /  Acesso em: 19 de outubro de 2022.

História da alfabetização no Brasil , Physics  2022. Disponível em: https://www.portalphysics.com.br/historia-da-alfabetizacao-no-brasil/  Acesso em: 19 de outubro de 2022

 

 

 

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