O processo de aprendizagem de crianças autistas

É importante que os educadores tenham em mente que as estratégias facilitam a aprendizagem de crianças autistas e no seu desenvolvimento. Além disso, a participação da família é de extrema importância para a evolução das crianças, entre outros aspectos. Os pais ou responsáveis  quando estão  presentes no ambiente escolar é um ponto bastante positivo para que a criança se desenvolva em um ambiente repleto de estímulos.

Outro aspecto importante é que os pais devem receber ajuda para estimular suas crianças em casa, que os educadores tenham assessoria, orientação para saber como proceder na sala de aula e contribuir ainda mais no processo de aprendizagem de crianças autistas e no seu desenvolvimento. Por isso, que a escola é essencial nesse processo, pois é onde a criança se socializa, aprende sobre as regras, imitação e a se expressar.

Uma intervenção positiva na aprendizagem de crianças autistas e no seu desenvolvimento é ela compreender e aceitar as mudanças que ocorrem ao seu redor. Para isso acontecer é fundamental inserir mudanças pequenas no cotidiano, como: mudar onde ela senta, mudar o caminho da escola, entre outras alterações. As modificações são inevitáveis no dia a dia da criança, então é importante que ela entenda que alterações podem acontecer e que isso faz parte da vida. 

A aprendizagem de crianças autistas é um processo lento e requer paciência e, principalmente, amor pelo que faz. Não adianta simplesmente passar atividades por cima de atividades sem considerar as necessidades dos alunos, não adaptar as atividades e investir em estratégias para ajudar a criança no processo de aprendizagem. É primordial o educador buscar uma formação continuada para adquirir conhecimentos que possam ajudar nossas crianças. Nesse processo o protagonista principal é a criança. É ela que devemos priorizar. E para isso devemos cobrar dos nossos governantes condições mais justas de formação continuada, dos direitos das crianças autistas que sejam cumpridas e realizadas, como as terapias e principalmente uma inclusão efetiva. 

Como acontece a aprendizagem de crianças autistas? 

O cérebro tem a capacidade de criar e remodelar suas redes neurais a partir dos estímulos que recebem. Isso acontece por causa da plasticidade cerebral. De acordo com Mayra essa é a chave para o tratamento do autismo.

Segundo Mayra (2018), o cérebro consegue modificar sua estrutura física e também sua atividade cerebral. Isso é possível por meio dos estímulos, pois eles têm a capacidade de criar novas ligações entre os neurônios. Dessa forma, criam caminhos diferentes e complementares. “O nosso cérebro, por meio da neuroplasticidade, nos permite “recrutar” neurônios e formar novos caminhos que garantirão nossa aprendizagem” (GAIATO, 2018, p. 75).

A aprendizagem de crianças autistas acontece, principalmente, através de experiências de cada sujeito. Essa aprendizagem torna-se mais efetiva quando ela está em um ambiente cheio de estímulos.

“Os neurônios possuem extensões para se ligar a outros neurônios. Para transmitir as informações, usam caminhos chamados axônios, e para receber usam os dendritos. Se as informações (estímulos) recebidas do ambiente preenchem determinadas condições, o neurônio dispara um pulso elétrico ao longo do axônio. Quando o pulso chega à extremidade do axônio, distribui-se por mais ramificações, que se conectam aos dendritos de outros neurônios. Dessa forma, as sinapses são estabelecidas. Essas sinapses podem ser descritas como a “conversa” de um neurônio para outro, que se conecta” (MAYRA, 2018, p. 78).

É a partir de novas conexões que a criança aprende uma informação nova e habilidades que contribui ainda mais com a modificação de novos comportamentos.

A memória é bastante importante no processo de aprendizagem, pois recupera e reativa esses conhecimentos aprendidos quando o sujeito necessita usar. Para lembrar as novas informações e recordar quando necessário é preciso repetição das informações passadas. Por isso, que repetir as informações têm mais possibilidades de serem enviadas à memória de longo prazo.

Então, a repetição das informações é extremamente importante para o processo de aprendizagem e a consolidação de novas sinápticas. Dessa forma, a criança aprende os conhecimentos apresentados e fortalece esse comportamento.

É na infância que os neurônios estão propensos a grandes modificações. Por isso, é importante que a criança receba muitos estímulos nessa etapa da vida, pois é nessa fase de adaptação e crescimento que os conhecimentos são mais memorizados. Quando a criança está em contato com, conhecimento, memória, mais aprendizagem obterá. É fundamental salientar uma intervenção precoce, quanto mais cedo o diagnóstico e tratamento mais propensa essa criança está para adquirir novas habilidades, conhecimentos e comportamentos.

Sair da Zona de conforto:

Sair da zona de conforto é o caminho para a criança adquirir novos conhecimentos. Quando a criança não é estimulada, apenas realiza a atividade que deseja sem finalidade alguma ou faz porque é fácil é mais difícil para ela aprender.

O segredo de uma boa estimulação é deixar as crianças o mais reguladas e felizes possível, porém, dentro de uma dieta de estimulação. Dar estímulos de uma maneira que não a desregule, que saia da zona de conforto, mas que não a sobrecarregue” (GAIATO, 2018, p. 80).

  • Zona de conforto: significa dizer quando a criança está confortável brincando sozinha, do seu modo. Na zona de conforto elas ficam mais tranquilas, sem demandas ou intervenções nas suas brincadeiras. 
  • Zona de estimulação: é possível fazer intervenções, ensinar novos conhecimentos e ajudar na aquisição de novas habilidades, como ampliar o repertório social, verbal, entre outros. Para atingir essa zona de estimulação é preciso ter cuidado, para não desregular a criança. 
  • Zona de desregulação: é quando a criança está desregulada. A criança se desorganiza e não consegue aprender mais nada, pois fica muito estressada. Como isso pode acontecer? Bom, quando o estímulo dado foi muito invasivo e o cérebro da criança não conseguiu organizar a informação.

Portanto, estimular as crianças a aprender e executar novas informações, sejam elas típicas e atípicas, é importante sair um pouco da zona de conforto que a criança está, consiga aceitar e não seja muito intenso para ela.

Como a Terapia ABA com estratégias naturalísticas estimula a aprendizagem de crianças autistas?  

As crianças no espectro têm dificuldades nas áreas de socialização, na comunicação verbal, déficit na aquisição de linguagem e alteração nos padrões sensoriais. A aprendizagem de crianças autistas é um processo contínuo e demorado muita das vezes. Por isso, é importante ter paciência e acreditar no potencial da criança, pois todas são capazes de aprender e cada uma tem o seu tempo e formas diferentes de aprender. 

Bom, mas qual é a diferença da aprendizagem de crianças autistas para as neurotípicas? As neurotípicas aprendem através de imitação e de forma generalizada naturalmente. Já as crianças no espectro precisam que sejam incluídas estratégias e planejamentos específicos para efetivação da aprendizagem e generalização.

As estratégias utilizadas para facilitar a aprendizagem de crianças autistas contribui muito na construção da autonomia, comunicação não-verbal, imitação, interação, participação em grupos de atividade, esperar a vez, as mudanças de rotina e independência da criança. Tanto na sala de aula, em casa e no ambiente escolar como um todo. 

A aprendizagem de crianças autistas ocorre por meio de intervenções e treinos planejados de forma individual. Através do DDT (Treinos de Tentativas Discretas ou Naturalísticas). Um ponto essencial para ser considerado é que o diagnóstico precoce é uma aliada no processo de ensino aprendizagem. Pois, a criança terá mais oportunidades de desenvolver a linguagem, cognição e habilidades sociais.  

O que é DDT (Treino de Tentativas Discretas)? É um modelo dentro da Análise Aplicada do Desenvolvimento (ABA). Onde o Terapeuta prepara um ambiente de ensino equilibrado e com o mínimo de estímulos para a criança não se distrair e que a aprendizagem ocorra sem nenhum obstáculo. 

Depois do ambiente ser planejado e limpo de estímulos que distraem a criança, o profissional deve compreender o que deseja ensinar e determinar um critério de resposta. Para que a criança aprenda o que o terapeuta está trabalhando é importante repetir os treinos para efetivar o aprendizado. Quando a criança demonstra uma resposta desejada do comando emitido pelo terapeuta é importante reforçar essa resposta de acordo com o nível de necessidade dela, por exemplo, ajuda total (quando a criança tem dificuldade de executar a atividade pedida e precisa de ajuda para fazer) ou ajuda parcial (mínimo de ajuda).

Em seguida, a próxima fase é trabalhar a generalização, pois não acontece naturalmente. Por exemplo, ao ensinar as emoções para a criança na terapia demonstrando diversas expressões faciais para ela identificar. Mas quando apresentado as mesmas características sobre emoções no livro e a criança não discrimina, quer dizer que ela não aprendeu de forma generalizada. E para isso acontecer é importante trabalhar com o ensino naturalístico.

No ensino naturalístico também engloba “aprender incidentalmente”, que é quando a criança consegue repetir o que viu na terapia em outros ambientes, como escola, casa, entre outros lugares que ela frequenta. Ambos são baseados nos princípios do ABA. O ABA Naturalístico também aproveita a motivação da criança do momento para ensinar novos repertórios de uma forma mais natural e parecido com situações do cotidiano, por exemplo:

  • Brinquedos
  • Jogos
  • Objetos
  • Comida
  • Vídeos
  • Música.

Esses modelos citados de ensino proporcionam para as crianças no espectro oportunidades de aprendizagem e na aquisição de novas habilidades, pois aumenta seu repertório de comunicação verbal, socialização e aquisição da linguagem melhorando seu desenvolvimento e possibilitando melhor autonomia.

Por que utilizar estratégias para facilitar a aprendizagem e estimular as crianças no espectro?

As estratégias (jogos digitais e físicos, recursos, lúdico) são importantes, úteis e ajudam no processo de aprendizagem. A criança com autismo necessita de adaptações curriculares de materiais, atividades, avaliações, entre outros. Além disso, as estratégias podem ser usadas também para verificar se as informações trabalhadas foram efetivas. No caso, uma revisão do assunto abordado. Também entender como utilizar as estratégias e ajudar a criança é fundamental. Além disso, os jogos também ajudam a saber se o aluno aprendeu, suas dificuldades e necessidades. Pois, é importante ter a adequação dentro do que ela precisa.

É extremamente importante utilizar estratégias para ajudar no processo de aprendizagem de crianças autistas, pois o processo de inclusão é pensar como meu aluno aprende e como saber se ele está realmente aprendendo. É reconhecer quais são as estratégias que funcionam com a criança, o que é interessante para ela.

A aprendizagem de crianças autistas é um processo e é preciso estimular a criança constantemente para o seu desenvolvimento. Para que esse crescimento seja mais efetivo é interessante incluir estratégias para estimular as habilidades sociais, cognitivas e intelectuais. 

Por isso, é importante salientar sobre o diagnóstico precoce para que a criança tenha um acompanhamento imediato, pois a partir do momento que ela é acompanhada, tem mais oportunidades de se desenvolver.

É através desse acompanhamento que a criança está propensa a ser mais independente e ter autonomia. Isso só é possível quando a escola, família e terapia acompanham a criança e contribuem com o seu processo de aprendizagem.

Contudo, a aprendizagem de crianças autistas torna-se mais efetiva quando ela é exposta a diversos estímulos e recursos. Pesquisas apontam que utilizar essas estratégias é uma forma de potencializar seus conhecimentos e avançar nesse processo. Dentro dessas estratégias se encontram:

1. Visual: as crianças autistas são muito visuais. Por isso, utilizar recursos visuais é positivo no seu aprendizado. Mas quais seriam esses recursos? É importante citar algumas ferramentas como, livros, vídeos, gráficos, cores e imagens para trabalhar com o aluno.

2. A rotina de atividades pictográficas: essa estratégia consiste em uma rotina a base de fotos, desenhos, etc, que aborda o que a criança deve fazer em cada etapa. Esse recurso é para ajudar as crianças a concluir a atividade determinada, aprender uma nova habilidade e construir sua autonomia. É interessante utilizar em casa com a família e principalmente no ambiente escolar.

3. Auditivo: esse recurso é muito estimulador para as crianças. Quando o aluno tem interesse particular nessa ferramenta o processo de aprendizagem pode ser mais positivo. As ferramentas que podem ser utilizadas são: fala, sons e músicas. Algumas crianças autistas ficam dispersas na sala de aula, muitas das vezes não mantêm contato visual. O recurso auditivo é muito importante, mas é preciso estimular o contato visual. Pois o recurso auditivo deve ser uma estratégia a mais na sala de aula.

4. Tátil ou Sinestésico: essa estratégia é muito significativa na aprendizagem de crianças autistas, pois ver e tocar é uma forma de aprender. Os recursos que podem ser trabalhados são as ferramentas tecnológicas, como os jogos eletrônicos.

Para o professor pode ser difícil saber qual é o recurso que funciona com o aluno. Antes de identificar qual estratégia funciona é importante construir um plano de aula com essas estratégias e aplicar as ferramentas citadas para saber qual é a melhor.

Para identificar quais metodologias vão contribuir com o processo de aprendizagem de crianças autistas é importante observar o aluno na sala de aula e nos outros espaços escolares. Outro aspecto essencial é que a abordagem educacional seja decidida pelos pais e a equipe multidisciplinar que acompanha o aluno. Pois, eles trabalham com a criança durante horas e já conhecem as ferramentas e opções que ajudam no processo de aprendizagem. 

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REFERÊNCIA

ESCRIBO – Inovação para o aprendizado. Autismo: como fazer planos de aula para ensinar e desenvolver nas crianças as habilidades da BNCC. Youtube, 2020. Disponível em: https://youtu.be/0mDiVCJy0kk. Acesso em: 01 de agost. 2022.

Educação no autismo: o aprendizado como ferramenta. Neuroconecta. Disponível em: https://neuroconecta.com.br/educacao-no-autismo-o-aprendizado-como-ferramenta/. Acesso em: 03 de agost. 2022.

GAIATO, Mayra. S.O.S Autismo: guia completo para entender o Transtorno do Espectro Autista. 3.ed. São Paulo: nVersos, 2018.

GRUPO CONDUZIR. O aprendizado da criança com autismo | Grupo Conduzir. Youtube, 2018. Disponível em: https://youtu.be/2rhFkkobvww. Acesso em: 01 de agost. 2022. 

 

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