7 Estratégias de alfabetização para ensinar crianças com autismo

garota autista se divertindo jogando brinquedos em casa com professora - ensinar crianças com autismo

A importância de utilizar estratégias de alfabetização para ensinar crianças com autismo

É essencial ressaltar a importância da inclusão de crianças com TEA na sala de aula, principalmente, na instituição de ensino como um todo. Inclusão não é apenas inserir o aluno no ambiente escolar, mas também oferecer oportunidades de alfabetização para ensinar crianças com autismo de acordo com suas necessidades.

Infelizmente, a realidade de algumas escolas é ofertar um currículo totalmente oposto aos dos outros alunos, pois nem sempre a instituição de ensino percebe que o método utilizado não é eficiente para o aluno autista. Por exemplo, enquanto a criança está fazendo uma atividade que requer a memorização de palavras a turma trabalha com poesias ou lendo histórias. Demandas completamente diferentes para ambos. Nesse exemplo, a inclusão não está sendo realizada.

“Os alunos têm direito aos recursos de que eles precisam dentro de qualquer escola, não somente em escolas especiais. O ideal é tentar realizar as mesmas atividades que os outros colegas fazem, mas quando não for possível, podemos executar algumas adaptações simples, sempre buscando os pontos fortes que aquele aluno tem – e todos tem!” (GAIATO, 2018, p. 118).

Geralmente, o processo de alfabetização é um desafio para ensinar crianças com autismo, pois muitas vezes os recursos utilizados para alfabetizá-las não são adaptados. A aprendizagem é efetiva quando são utilizadas ferramentas adaptadas as necessidades do aluno ou quando é ofertado recursos sem contexto algum? A criança quando está em contato com recursos pensados e construídos de acordo com suas dificuldades, o aluno se sente mais estimulado e motivado no processo de aprendizagem. Muitas das vezes, o aluno se sente frustrado, cansado de executar atividades desconhecidas e indecifráveis, de reproduzir uma atividade apenas por fazer.

É fundamental salientar a importância de ofertar um plano educacional individualizado, adaptações curriculares e materiais de acordo com as necessidades do aluno, mas também incluir nas atividades cotidianas.

O educador precisa buscar uma formação continuada para auxiliar os alunos que precisam de intervenção. Entender sobre o autismo é primordial para contribuir no processo de aprendizagem de forma eficiente. Quando a escola não tem estratégias ou as atividades não são adaptadas para os alunos isso dificulta o processo de alfabetização. Por isso, a importância de uma formação continuada.

Se o processo de alfabetização é um desafio para os neurotípicos, o que dizer do processo de alfabetização de pessoas neuroatípicas? As crianças com TEA aprendem de forma diferente, porque cada criança é única e possui suas particularidades. Pesquisas cientificas abordam como o cérebro dos autistas funciona e como aprendem. Uma criança pode aprender melhor com imagens, outras com estímulos auditivos ou táteis. O essencial nesse processo de alfabetização para ensinar crianças com autismo é conhecer as características do aluno.

Criando uma sala de aula inclusiva 

Um dos principais objetivos de uma sala de aula inclusiva é atender as necessidades do aluno. É possibilitar a interação, atividades lúdicas, atenção e amor. Essas são algumas maneiras de promover uma sala de aula mais inclusiva e aconchegante para nossas crianças e adolescentes. Uma educação inclusiva não é somente para crianças autistas. Cada aluno tem uma maneira diferente de aprender. E esse é o objetivo da educação inclusiva.

Habilidades que precisam ser desenvolvidas antes da alfabetização:

  • A criança conseguir permanecer em sala de aula;
  • Fazer pareamento;
  • Sentar-se para realizar atividades;
  • Autistas não-verbais utilizarem fichas ou figuras para se comunicar;
  • Obedecer aos seguintes comandos: me dá, pega, olha pra mim, indicar, separar objetos e circular conforme o comando.

7 estratégias de alfabetização para ensinar crianças com autismo

Não existe uma fórmula pronta para alfabetizar as crianças com autismo e esse processo é um desafio para pais e educadores. Muitas das vezes essa tarefa fica mais difícil quando não se tem o entendimento de estratégias  para ensinar crianças com autismo no processo de alfabetização.

“A criança com autismo tem capacidade de aprender, porém o faz de maneira diferente. Entender as dificuldades que cada criança traz consigo e ensiná-las a partir disso é o maior desafio de um educador, que pode fazer uma diferença incrível na vida de uma criança com autismo” (GAIATO, 2018, p. 118).

Cada autista tem suas particularidades. Isso se espelha na aprendizagem também, cada criança aprende no tempo dela e de formas diferentes. Não significa dizer que todas aprendem da mesma forma e no mesmo tempo.

A seguir confira as estratégias que facilitam o processo de alfabetização das crianças com autismo:

  1. Trabalhe a consciência fonológica

Para dar início de como ensinar crianças com autismo no processo de alfabetização é importante trabalhar a consciência fonológica por meio de rimas e aliterações. O professor pode escolher algumas palavras que terminam com sons semelhantes que pode ser utilizado em músicas, versos e brincadeiras. A utilização dessa estratégia é bastante enriquecedora para as crianças. Principalmente, se o aluno tiver interesse em músicas, consequentemente, esse recurso facilita na aprendizagem de palavras.

A eficácia do método fônico na alfabetização de crianças com autismo

Você sabe qual é a metodologia cientificamente mais comprovada para ensinar crianças com autismo no processo de alfabetização?  É a metodologia fônica, pois não parte apenas do nome das letras, mas também o som. Nesse método é trabalhado a sonorização da letra com crianças e adolescentes. Por isso, a importância de trabalhar com a criança o som das letras, pois é bem assimilado no cérebro da criança. Pesquisas na década de 70 e 80 apontam que o uso do método fônico é seguro e eficaz.

” A metodologia fônica usa o som das palavras e não só o nome da letra. Mostre para as crianças que cada letra tem um som. Por exemplo, a letra F tem o som de ffff, e a letra A tem o som aaaa. A criança vai perceber que quando ela junta com F com A, vira “fa”.” (NEUROSABER, 2020).

Pode acontecer de crianças com TEA iniciar muito cedo na leitura. É importante compreender que nem sempre o aluno tem entendimento do que leu. As crianças autistas podem ter essa dificuldade em compreender a leitura. O método fônico é uma excelente estratégia para ajudar no processo de alfabetização e não apenas aprender de forma memorizado.

  1. Utilizar recursos visuais

A instrução verbal é muito importante para as crianças autistas. Inclusive os recursos visuais quando associados a instrução verbal potencializa a aprendizagem. Conforme o professor for ensinando um determinado assunto, ao decorrer da fala, o docente pode incluir imagens com explicações. Algumas crianças autistas têm dificuldade em entender a comunicação de outras pessoas, pois a atenção auditiva não está bem processada. Então, é importante falar pausadamente e até mesmo mostrando as imagens falando uma palavra por vez. É importante ir adaptando as necessidades da criança.

  1. Invista no interesse da criança

Essa estratégia de utilizar o interesse da criança é um recurso muito importante, pois as crianças autistas possuem hiperfoco, que é interesse intenso e focado em determinados temas que lhe chamam atenção. O educador pode usar isso ao seu favor criando atividades lúdicas, brincadeiras, jogos entre outras ferramentas para chamar a atenção da criança e com isso despertar a curiosidade, tornar a atividade mais divertida e motivar a criança.

  1. Considere as características da criança

É importante considerar as características da criança, pois algumas têm dificuldade em escrever devido a alterações na coordenação motora fina e hipotonia. O aluno não precisa necessariamente usar letra cursiva, mas pode utilizar a letra bastão. Isso não é uma regra. Por isso, é importante conhecer o aluno e propor o que melhor se encaixa com ele. Caso não tenha desenvolvido a habilidade de escrita, como prosseguir? Utilizar cartões com letras e palavras, celular ou tablet são ferramentas que podem ser úteis para ajudar o professor ou os pais. É fundamental salientar a importância de adaptar ao seu contexto.

  1. Atenção ao modo como se apresenta os materiais

É importante se atentar como é apresentado os materiais, pois se uma determinada atividade ou outro recurso apresentar muitos detalhes a criança pode se perder. Isso acontece devido ao processamento cognitivo, neste caso a criança pode ficar presa aos detalhes do material disponibilizado.

Para que o aluno tenha foco no que está sendo pedido e não se perca nas atividades é de suma importância evitar muitos detalhes nos materiais. Dessa forma, essa estratégia ajuda a criança no processo de alfabetização, pois é um recurso que infelizmente ainda se repete em algumas escolas.

  1. Evitar usar os pontilhados

Geralmente, esse método do uso de pontilhados é muito recorrente no processo de alfabetização, mas para crianças com TEA esse recurso pode ser mais complicado.

Lembra da questão dos detalhes? Pois então, Como as crianças autistas se atentam muito aos detalhes e quando apresentamos uma letra pontilhada ela pode ficar atenta apenas para alguns daqueles pontilhados e tenha dificuldade de entender o todo daquela letra.

  1. Utilizar atividades lúdicas

As atividades lúdicas é uma excelente estratégia para ensinar crianças autistas. Esse recurso traz diversos benefícios para a aprendizagem da criança. Além disso, é importante introduzir brincadeiras, pois traz enormes contribuições para o desenvolvimento da aquisição de novas habilidades de aprender e pensar.

A partir disso, criar momentos lúdicos instigando a participação nas brincadeiras. Esse momento pode ser bastante estimulador para as crianças assim aumentando a curiosidade e o interesse. Dessa forma, a aprendizagem no processo de alfabetização torna-se significativa e divertida.

É importante que os professores tenham formação para conseguir manejar essas brincadeiras, pois cada aluno possui suas necessidades.

As estratégias abordadas são comprovadas e eficazes para ensinar crianças com autismo no processo de alfabetização. Dessa forma, o professor pode utilizar esses recursos em sala de aula para ajudar na aprendizagem. Como cada aluno é diferente e possui suas particularidades é primordial compreender que alguns desses recursos serão efetivos e outros não. Vai depender do interesse e a motivação que o docente direciona essa estratégia e as necessidades do aluno. É essencial se atentar a esses detalhes, pois como já mencionado cada criança possui suas necessidades. E o que dá certo com uma, talvez não seja efetivo para outra.

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Referências

6 dicas para ensinar crianças com autismo a ler. Instituto Neurosaber, 2020. Disponível em: https://institutoneurosaber.com.br/6-dicas-para-ensinar-criancas-com-autismo-ler/. Acesso em: 27 de jun. 2022.

BRITO, Maria. Autismo – 10 estratégias de alfabetização! Como ensinar a LER, ESCREVER e INCLUSÃO. Youtube, 2018. Disponível em: https://youtu.be/oe_AZ_i1gx4. Acesso em: 23 de jun. 2022.

GAIATO, Mayra. S.O.S Autismo: guia completo para entender o Transtorno do Espectro Autista. 3.ed. São Paulo: nVersos, 2018.

Métodos de alfabetização para crianças autistas. Instituto Neurosaber, 2017. Disponível em: https://institutoneurosaber.com.br/alfabetizacao-para-criancas-autistas/#:~:text=Educa%C3%A7%C3%A3o%20inclusiva%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20apenas%20para%20Autismo&text=E%20este%20%C3%A9%20um%20princ%C3%ADpio,%C3%A9%20conhecido%20como%20instru%C3%A7%C3%A3o%20diferenciada%20. Acesso em: 27 de jun. 2022.

SABER, Neuro. Métodos de alfabetização para crianças com autismo e outras deficiências – 5 minutos. Youtube, 2017. Disponível em: https://youtu.be/GaBoPTeayFQ. Acesso em: 27 de jun. 2022.

Autor

Kelly Silva

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